4 motivos pelos quais os humanos não são tão espertos como imaginam

Você acredita que os humanos estão no controle de tudo e que eles são os mestres de suas próprias decisões? Pois saiba que, na realidade, nós somos meras marionetes do nosso cérebro — e nem das áreas mais nobres! —, que está constantemente nos enganando e nos fazendo agir de determinada maneira. Veja 4 exemplos:

1 – É a parte mais primitiva do cérebro que está no comando

Embora os humanos contem com um dos maiores e mais complexos e cérebros do Reino Animal — em relação ao tamanho do corpo —, uma boa porção dele continua sendo primitiva. Pense no órgão como se ele fosse uma “cebola evolutiva” na qual cada camada representa uma nova etapa do desenvolvimento humano desde que os primeiros hominídeos surgiram na Terra até agora.

Apesar de cada fatia agregar mais massa e capacidade para o desempenho de ações cada vez mais complexas, lá no centro, em seu âmago, o cérebro humano continua sendo primitivo — tanto que alguns cientistas se referem a esse núcleo como cérebro reptiliano (não confundir com a teoria da conspiração sobre os Reptilianos!). É essa área que, na verdade, está no comando, em vez de regiões mais “nobres”, como o córtex.

O cérebro reptiliano é composto pela medula espinhal e por porções basais do encéfalo frontal, está presente em todos os vertebrados e é responsável por, basicamente, nos manter vivos. Ele regula a respiração e o ritmo cardíaco, além de gerar respostas primárias, como a fome e a sede. O cérebro reptiliano também interage com outras áreas para processar estímulos sensoriais, gerar emoções básicas e controlar a tomada de decisões em seu nível mais rudimentar.

Assim, todas as reações automáticas — como tirar a mão do fogo porque queima, comer chocolate porque é bom e fazer sexo para procriar —, bem como todos os hábitos inconscientes, ou seja, tudo que é instintivo é originado no cérebro reptiliano. O mais interessante é que ele “manda” nas áreas mais complexas, já que, quando entra em ação, as demais param tudo!

Contudo, como os humanos gostam da ideia de ser uma espécie avançada e dominante — e admitir que o seu comportamento é frequentemente resultado de impulsos “animais” é um pouco constrangedor —, as demais áreas do cérebro entram em ação para racionalizar e encontrar justificativas para as suas (ou seja, nossas!) ações.

2 – Essa mesma região cerebral causa a maior confusão em nossas mentes

Até onde se sabe, os humanos são a única espécie do planeta que possui consciência de sua própria mortalidade — o que deveria nos dar uma enorme vantagem sobre os demais animais, certo? Então, por que é que tanta gente insiste em transar sem camisinha, usar drogas ou, ainda, negar que o aquecimento global é uma realidade?

Basicamente, embora tenhamos total consciência de nossa própria mortalidade, o nosso cérebro está programado para ignorar as consequências de nossas ações no longo prazo para que possamos desfrutar com mais intensidade de prazeres imediatos. E sabe quem é o responsável por esse tipo de resposta “instintiva”, né? Isso mesmo, o cérebro reptiliano.

Na verdade, o nosso cérebro é muito bom em nos proteger do perigo em situações de ameaça imediata, desencadeando a resposta de “fuga ou luta”. Contudo, quando se trata de um risco que poderá afetar as nossas vidas no futuro, a área mais primitiva do nosso cérebro foca na gratificação instantânea.

Aliás, basicamente, essa área só quer saber de suprir três necessidades primitivas básicas: comer, procriar e sobreviver. Ela também sempre nos tornará mais inclinados a realizar ações relacionadas com essas necessidades sem pensar muito nas consequências futuras. Se a atividade estiver associada com o prazer — em vez do medo —, então o nosso poder de resistir ao impulso se torna cada vez menor.

É por isso que algumas pessoas se tornam dependentes de drogas ou determinadas substâncias e comportamentos — porque elas se tornam viciadas nas sensações de prazer que essas ações desencadeiam. Acontece que essas respostas são geradas no cérebro, e é ele que continua pedindo sempre mais. Por certo, é por isso que é tão difícil tratar a dependência: porque é necessário alterar o cérebro fisicamente para fazê-lo criar novos hábitos.

3 – Nosso cérebro distorce as nossas memórias

Não pense nas suas memórias como livros preservados em uma biblioteca gigante em um canto do seu cérebro. As lembranças que armazenamos são mais como uma porção de fichas — que, às vezes, nós embaralhamos e colocamos fora de ordem quando são resgatadas.

Conforme nós aprendemos algo novo ou vivemos uma nova experiência, por exemplo, vamos adicionando novo conteúdo às “fichas” que já tínhamos armazenadas na nossa mente e que guardam relação com esse novo conhecimento. Então, quando nos recordamos de algo, não estamos simplesmente resgatando uma única memória, mas interagindo com ela, projetando novas lembranças, conhecimento e até adicionando novos “vieses”.

Quando expostos à sugestão ou ao medo, por exemplo, nós inclusive podemos “construir” memórias. Quer um exemplo? Digamos que aquela pessoa especial concordou em sair com você e, então, você fica fantasiando uma e outra vez sobre como o encontro será maravilhoso. Pois essa repetição pode fazer com que a sua fantasia — independente de se concretizar ou não — se fixe na sua mente como se fosse uma memória.

O problema é que quando o nosso cérebro vai até o armazém buscar uma memória, ele prefere usar atalhos — em vez de procurar todas as fichas e colocá-las rigorosamente em ordem — e acaba preenchendo as inconsistências à sua maneira. Em outras palavras, ele adapta as nossas lembranças, e nem sempre elas são um reconto fiel do que realmente aconteceu.

É por essa razão que as testemunhas oculares nem sempre conseguem fazer descrições muito boas do que presenciaram ou dos criminosos que viram. Além da questão de a memória ser adaptativa, nós somos altamente sugestionáveis, o que significa que podemos ser facilmente convencidos de que presenciamos isto, e não aquilo.

4 – Nós podemos ser condicionados

Você acredita que tem controle sobre todas as suas decisões? Talvez seja uma surpresa para você descobrir que a maioria dos comportamentos que você percebe como sendo propositais são, na realidade, respostas condicionadas. Desde os hábitos mais cotidianos, passando pelo nosso senso de identidade, praticamente tudo o que fazemos é ditado pela sociedade em que estamos inseridos.

Pense em como os cães podem ser condicionados a apresentar determinadas respostas — como começar salivar quando nos ouvem abrir uma embalagem plástica qualquer. O condicionamento acontece quando os cachorros começam a mostrar um determinado comportamento ao serem expostos a um estímulo que costumava ser neutro.

Então, imagine que o cheiro de comida é um estímulo desconhecido, assim como a resposta a ele, ou seja, a sensação de fome. No entanto, o barulho de um sino é um estímulo condicionado. Assim, toda vez que o cão ouve o som do sino, sua reação é sentir fome.

Pois os humanos também são condicionados a mostrar certos comportamentos, como desenvolver o medo de dirigir depois de testemunhar um acidente de carro ou, nos caso das crianças, se apavorar quando aparecer alguém usando um jaleco branco — por conta da dor que sentiram aquela vez que o pediatra aplicou nelas uma injeção.

As superstições também surgem por conta do condicionamento por não conseguir entender que a correlação não implica na causalidade. Em outras palavras, muitas pessoas acreditam (quase sempre inconscientemente) que, porque duas coisas acontecem juntas, uma é a causa da outra. Com isso, elas simplesmente adotam determinado comportamento por associá-lo a um resultado específico — como sempre fazer provas com a caneta da sorte ou cortar os cabelos em certa fase da Lua.

Além disso, o fato de o cérebro distorcer as nossas memórias ajuda a alimentar o condicionamento, quando nos lembramos de determinadas memórias e associamos as duas, criando uma ligação de causa e efeito. Seja como for, o certo é que desempenhamos uma série de comportamentos condicionados no cotidiano — só nos convencemos de que fomos nós mesmos que escolhemos agir de determinada maneira.