O que as mulheres costumavam fazer para lidar com a menstruação me deixou pasma.

A menstruação faz parte da vida das mulheres desde o início dos tempos, pois é essencial para gerar vida. Apesar disso, a sociedade tem tentado esconder sua existência, transformando um processo completamente natural em tabu. Hoje, falar abertamente sobre sua menstruação é considerado de mau gosto em muitos países, e muitas mulheres sentem vergonha de pedir a alguém um absorvente quando é pega desprevenida.

Por causa desse esforço para esconder a menstruação o máximo possível, existe pouca informação disponível sobre como as mulheres lidavam com seu “período do mês” no passado. O que está claro, é que a variedade de produtos higiênicos que temos hoje nem sempre existiu, então, as mulheres tinham mesmo que se virar.

A primeira coisa a se ter em mente é que, no passado, as mulheres menstruavam bem menos do que atualmente. Isso porque elas se casavam muito mais cedo e não havia métodos contraceptivos, então elas ficavam grávidas e doentes com maior frequência, por isso não menstruavam, além de serem geralmente malnutridas, o que levava a uma menstruação irregular, além da expectativa de vida ser menor.

Do pouco que sabemos, parece que, em tempos remotos, as egípcias usavam papiros umedecidos, que inseriam na vagina, como um absorvente interno improvisado. Enquanto isso, as gregas usavam um pedaço de madeira amarrado com panos e outros materiais, e as romanas usavam um tipo de absorvente feito de lã e algodão. As mulheres indígenas dos Estados Unidos usavam casca de cedro, o que não parece um bom plano, mas, na verdade, é bem absorvente.

Se formos um pouco adiante no tempo, perceberemos que os hábitos de higiene definitivamente mudaram, mas não necessariamente para melhor. Na Idade Média, as mulheres não usavam nada para interromper o fluxo, sangrando diretamente em seus vestidos ou roupas íntimas. Para evitar que as pessoas notassem, elas usavam roupas de cores escuras. Mas a pior parte era que elas usavam a mesma roupa encharcada de sangue por vários dias, já que muitas mulheres de classe média ou baixa não podiam trocar ou comprar roupas regularmente, por questões financeiras.

Mas nos séculos 19 e 20, as coisas melhoraram um pouco: as mulheres usavam o que podiam, desde trapos a tecidos que podiam ser lavados e reutilizados. Finalmente, a produção em massa de absorventes começou em 1930, e as esponjas menstruais também eram utilizadas em 1940. Absorventes descartáveis também entraram em cena, mas eles tinham que ser presos com alfinetes ou cintos às calcinhas para mantê-los no lugar. Foi só em 1960 que alguém teve a ideia de fazê-los autocolantes.

Hoje, a situação é bem diferente: em muitos lugares se tem uma grande variedade de produtos, e nós podemos escolher qual o mais conveniente para as nossas necessidades, então, se não estivermos sofrendo com cólicas, quase dá para esquecer que estamos “naqueles dias”. E como as maneiras com que podemos lidar com a menstruação se multiplicaram e se tornaram mais visíveis, esperamos que essa evolução também se aplique na maneira como a sociedade enxerga a menstruação. Que ela seja aceita como algo natural e bonito, não algo a se esconder e se envergonhar.