Após denúncia justiça determina que Carrefour da Barra não pratique ‘extermínio de gatos’

ONG acusa funcionários da rede da morte desses animais. Até setembro, foram encontrados mortos 15 gatos e dois gambás.
Depois da denúncia de que os gatos que vivem no estacionamento do hipermercado Carrefour, na Barra da Tijuca, estariam sendo exterminados, 7ª Vara Cível da Barra determinou, na última terça-feira, que a rede não pratique “atos que possam ocasionar o extermínio de gatos eventualmente existentes no interior do supermercado”.

Conforme foi divulgado na coluna do jornalista Ancelmo Gois, a ação foi proposta pelo Núcleo de Prática Jurídica das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), a pedido da ONG Oito Vidas. O pedido tinha sido feito em setembro, bem antes de um segurança de uma filial em Osasco, em São Paulo, matar a cadela Manchinha. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais no início deste mês.

“Quando fizemos o pedido, a gente nem imaginava que essa poderia ser a política dessa empresa. Entendo que o enquadramento como “crime de maus-tratos com resultado morte”, somente, não é suficiente. Há, sim, e também, a responsabilidade civil do empregador pelos atos dos seus funcionários e prepostos. Cabe também uma ação pleiteando danos morais coletivos. E outras providências judiciais.” Disse o advogado Marcelo Turra, que coordena o Núcleo de Prática Jurídica da universidade.

No início de julho, a ONG constatou que cerca de 17 animais despareceram logo após o início de uma suposta limpeza no local onde os gatos viviam. Depois, em um período de 20 dias, foram encontrados 8 corpos de felinos que, até então, estavam saudáveis.

Envenenamento por chumbinho
Até setembro, foram encontrados mortos 15 gatos e dois gambás. Consternada, uma das voluntárias levou o corpo de um dos gatos para fazer um exame necrológico em um laboratório de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Lá, foi constatado que ele tinha sido envenenado por chumbinho. Segundo a ONG, a suspeita é que isso tenha sido feito por funcionários do Carrefour.

A colônia de 50 felinos vive há mais de cinco anos nas dependências do estacionamento da filial do hipermercado. Concentrando-se nas ruínas da churrascaria Pampa Grill. Ela é cuidada por diversas pessoas do bairro e a maioria dos animais mortos tinha nomes, como Milly, Tom e Mãezinha. Por isso, eles são considerados animais comunitários, de acordo com a Lei Municipal 4.956/2008.


” A realidade é que estamos diante de vidas não humanas que queremos ver defendidas, consideradas e valorizadas. E mais, animais comunitários, protegidos pela lei. Eu defendo inclusive a prisão preventiva dos responsáveis pelas mortes.” Completou Marcelo.
Em nota, o Carrefour informou
Carrefour informou que está em contato com ONGs e entidades independentes de todo país. Para assim desenvolver iniciativas em defesa e proteção de animais de estimação abandonados. “Especificamente sobre o processo em andamento no Rio de Janeiro, no qual fomos citados no dia 12/12, já estamos em contato com a ONG responsável para buscar soluções e desenvolver iniciativas concretas em nossas lojas do estado”, diz um trecho.

Reunião
O presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara, o vereador Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos), teve uma reunião na tarde desta sexta-feira com grupos de protetores e a direção do Carrefour da Barra, para tratar das denúncias. O diretor de responsabilidade social do Carrefour, Paulo Pianez, também entrou em contato com a presidente da Oito Vidas, a ortodontista pediátrica Lilian Queiroz, para esclarecer a questão.

“A reunião foi bastante positiva. Senti verdade na comunicação que ele teve com a gente. E vi que eles querem reparar um erro que não foi só deles, mas também do abandono. Ele vai voltar na semana que vem e vai visitar alguns abrigos de animais junto com a gente, além dos trabalhos que fazemos.” Informou Lilian.